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08/06/2010 • 16:57
Amarelou?
Há um receio em fazer o certo, já que o sistema é muito grande para mudar e não depende somente de uma pessoa
Éa expressão da cobrança em relação à falta de coragem em posicionar-se favoravelmente ou não a alguma situação. Normalmente, essa palavra é usada como gíria. E aí aparece aquela questão: é o medo, a conveniência ou uma posição política em busca de uma recompensa futura que nos faz amarelar?
O filme Escritores da Liberdade retrata bem essa situação. Em um momento há uma palestra de uma senhora que salvou várias pessoas durante o holocausto na Segunda Guerra Mundial. Os alunos afirmaram que ela seria uma heroína. Ela respondeu que era uma pessoa comum que fez o que acreditava ser certo. O certo nem sempre é o conveniente, não é mesmo? E nos tempos atuais, mesmo nossa vida não dependendo disso, estamos fazendo o certo? Será correto afirmar que somos mais covardes do que antes?
Lembro-me de uma palestra que assisti na Universidade Feevale, em 2005, com o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang, onde ele afirmou que somos um povo muito afável, remetendo-se a nossa história e dos abusos que sofremos, e não tomamos atitudes mais drásticas. O fato de termos nossa poupança confiscada, a corrupção acontecendo em larga escala e os abusos de poder de alguns mandatários reafirmam a posição dele.
Será que todas as lutas travadas e esforços realizados para entrarmos em uma democracia, após uma longa ditadura militar, foram em vão? Será que para não se perturbar escolhe-se o caminho mais cômodo e com menos embates? Amanhã vai continuar tudo igual, já que a memória é curta?
As notícias retratam a falta de líderes atualmente no mercado e que muitas empresas emperram o seu crescimento em função disso. E os outros tipos de líderes, tais como Martin Luther King, Madre Teresa e Dalai Lama, será que a forma foi jogada fora? Ou o idealismo deu lugar a acomodação e a falta de perspectiva em melhoras imediatas? E o velho discurso da educação como base de tudo retorna em nossas eleições e na prática depois não acontece na mesma intensidade. Não só a educação intelectual, mas a moral.
Em uma época de Internet, de relações globais e de velocidade no ritmo do pensamento, há uma perda significativa na qualidade de líderes e liderados. Há um receio em fazer o certo, já que o sistema é muito grande para mudar e não depende somente de uma pessoa. Pois é justamente essa pessoa, que pode ser você, é que está faltando se apresentar. Com convicções fortes, posturas claras, francas e atitudes que dão o exemplo. Há dois mil anos uma pessoa mudou o mundo e ninguém acreditou nela também. Seu nome: Jesus Cristo.
Não precisamos ser Jesus para mudarmos nossa realidade, basta começarmos com pequenas ações que sirvam de sementeira de várias realizações. Acredito que um dos maiores engodos da humanidade atual é justamente esse: fazer com que as pessoas não acreditem firmemente no seu potencial e no dos outros. Tornamo-nos uma sociedade de aceitação porque questionar é feio, ou nos gera a rotulagem de chatos, loucos, alguém que não merece confiança. E aí, vai amarelar? |
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