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08/06/2010 • 16:52
A paixão e a paciência do Zecão
Quantos olhares curiosos. Quantos pensamentos invejosos de tal encontro, com tamanho amor

O comentário dos meus vizinhos e amigos na praia esse ano foi a paciência do Zecão em conquistar a sua amada. Eu não o conhecia, mas já conhecia a sua reputação. Desde que caiu de amores, todo o dia o ele fazia de tudo para estar ao lado da sua amada. Não saia da janela, cuidando qualquer movimentação na casa dela. Quando podia se mandava para vê-la. Não media esforços para cortejá-la. Aliás, este foi um dos comentários mais frequentes, pois quem é que corteja alguém hoje em dia? A resposta que vinha logo à mente: o Zecão. Ninguém mais parece ter a paciência e desejo de lutar por alguém. Com uma persistência capaz de fazer qualquer mulher suspirar. Morri de inveja da sua amada. Alguém capaz de esperar e enfrentar qualquer coisa por você. Pelo contrário, ele teve que respeitar o tempo e momento dela. Ela era difícil e a princípio o ignorava, não estava convencida a se entregar a ele.

O engraçado é que o Zecão não faz o tipo gostosão. Franzino, miúdo, eu diria um pretinho básico. Quando o vi pela primeira vez comentei com meus amigos: vou ter que escrever sobre o tipo. Mas Zecão é só no nome, pois está mais para Zequinha. Meu marido comentou se não era hora de avisar a vizinha sobre as investidas dele para cima da filha dela. Não te mete, respondi. Eu e toda a rua dizíamos o mesmo: deixa o Zecão amar! Na verdade, quem não gostaria de estar vivendo tamanha benção, morrendo de tesão e de paixão por alguém? Pois não é que tanto esperou, tanto insistiu, que todos se renderam à persistência dele, inclusive ela, sua amada.

E acreditem, daqui há alguns meses o Zecão vai ser papai. Todos já sabiam que ia acabar nisso. Ninguém conseguiu recriminar tamanho amor e devoção. E ela se rendeu às investidas dele calma, tranquila, sem culpa nenhuma, decidida a deixar a coisa acontecer. Quantos suspiros foram ouvidos perto das quadras onde moro na praia. Quantos olhares curiosos. Quantos pensamentos invejosos de tal encontro, com tamanho amor. Mas uma coisa eu sei: muita gente ficou prestando atenção no Zecão e na sua determinação em amar. Ok, você pode estar pensando que foi algo totalmente carnal. Mas mesmo sendo carnal, ele fez tudo certo: cortejou, esperou, deixou claro suas intenções e mais, garanto que fez com que ela se sentisse muito desejada e, consequentemente, importante.

Não sei como essa história vai acabar. Mas sei que vou admirar o Zecão por muito tempo. Sua habilidade de conquista, sua capacidade de espera, todas as vezes que driblou enormes dificuldades para chegar perto do seu amor. Quanto à sua amada, ela se chama Fanny. E ele não passa de um cão, da raça conhecida como linguicinha. Mostrou hombridade e é muito difícil dizer isso quando falamos de um cão. Mas garanto que ele soube cortejar, seduzir, encantar e, principalmente, lutar pelo seu amor, como poucos homens sabem fazer. Talvez seja por isso que o comentário do verão era a paixão do Zecão e da Fanny. E nós, pobres humanos, que morramos
de inveja.
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CRIS MANFRO
Psicóloga clínica, terapeuta de família e mediadora familiar
 
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